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Por que a escrita contábil será indispensável na reforma tributária, mesmo para micro e pequenas empresas

Hoje, muitas empresas pequenas (principalmente no Simples Nacional) acabam tocando só com setor fiscal (emissão de notas, apuração de impostos) e pessoal (folha de pagamento), sem fazer uma escrita contábil completa, mesmo legalmente obrigadas. Isso ocorre porque a legislação atual ainda permite certa flexibilidade — especialmente para micro e pequenas empresas — e porque muitos empresários veem a contabilidade só como “custo burocrático”.

Mas com a reforma tributária isso muda por alguns motivos principais:

  1. Apuração baseada em créditos e débitos (IVA):

    • O IBS e a CBS (novos tributos que vão substituir ICMS, ISS, PIS e Cofins) funcionam no modelo de imposto sobre valor agregado.

    • Isso exige controle rigoroso das operações de entrada e saída, inclusive ajustes contábeis. Não basta só registrar notas fiscais — será necessário conciliar tudo com a contabilidade para validar créditos tributários. A contabilidade passa a ser mais consultiva.

  2. Unificação e rastreabilidade:

    • O sistema será mais integrado e digital, com cruzamentos automáticos entre fiscos federal, estadual e municipal.

    • Empresas sem contabilidade estruturada terão dificuldade para justificar operações e manter a conformidade.

  3. Necessidade de relatórios contábeis para benefícios e regimes específicos:

    • Alguns regimes diferenciados (como para pequenas empresas fora do Simples) vão exigir demonstrações financeiras para comprovar limites de receita, regimes de transição ou eventuais créditos.

  4. Maior fiscalização e compliance:

    • A Receita terá mais instrumentos de fiscalização eletrônica.

    • A ausência de escrita contábil deixa a empresa vulnerável a autuações, já que ficará sem “lastro” para justificar sua posição tributária.

Resumindo a reforma torna indispensável a contabilidade porque o novo sistema é baseado em apuração transparente e integrada. Aquele modelo “fiscal+pessoal” pode até ter funcionado até agora, mas não vai dar conta de atender às exigências do IVA brasileiro.

Antes da Reforma x Depois da Reforma Tributária

AspectoAntes da Reforma (modelo atual)Depois da Reforma (modelo com IBS + CBS)
Tributos principais ICMS, ISS, PIS, Cofins (cada um com regras próprias) IBS + CBS (modelo IVA – imposto sobre valor agregado)
Controle exigido Muitas vezes basta setor fiscal (emissão de notas e apuração simples) + pessoal (folha de pagamento) Necessário controle contábil completo para comprovar créditos e débitos do IVA
Notas fiscais Usadas para apuração de tributos, mas sem necessidade de integração plena com balanços contábeis em pequenas empresas Cada nota (entrada/saída) impacta diretamente na apuração do imposto e precisa ser conciliada com a contabilidade
Fiscalização Fragmentada entre Receita Federal, estados e municípios Unificada e digital: cruzamento automático das informações fiscais e contábeis
Pequenas empresas (fora do Simples) Podem funcionar com “escrituração simplificada”, sem balanço contábil robusto Precisarão manter demonstrações contábeis confiáveis para validar limites, créditos e regimes diferenciados
Risco sem contabilidade Menor (apesar de ainda irregular, muitas empresas “passam”) Muito maior: sem contabilidade a empresa não consegue justificar créditos, perde benefícios e pode ser autuada