Hoje, muitas empresas pequenas (principalmente no Simples Nacional) acabam tocando só com setor fiscal (emissão de notas, apuração de impostos) e pessoal (folha de pagamento), sem fazer uma escrita contábil completa, mesmo legalmente obrigadas. Isso ocorre porque a legislação atual ainda permite certa flexibilidade — especialmente para micro e pequenas empresas — e porque muitos empresários veem a contabilidade só como “custo burocrático”.
Mas com a reforma tributária isso muda por alguns motivos principais:
Apuração baseada em créditos e débitos (IVA):
O IBS e a CBS (novos tributos que vão substituir ICMS, ISS, PIS e Cofins) funcionam no modelo de imposto sobre valor agregado.
Isso exige controle rigoroso das operações de entrada e saída, inclusive ajustes contábeis. Não basta só registrar notas fiscais — será necessário conciliar tudo com a contabilidade para validar créditos tributários. A contabilidade passa a ser mais consultiva.
Unificação e rastreabilidade:
O sistema será mais integrado e digital, com cruzamentos automáticos entre fiscos federal, estadual e municipal.
Empresas sem contabilidade estruturada terão dificuldade para justificar operações e manter a conformidade.
Necessidade de relatórios contábeis para benefícios e regimes específicos:
Alguns regimes diferenciados (como para pequenas empresas fora do Simples) vão exigir demonstrações financeiras para comprovar limites de receita, regimes de transição ou eventuais créditos.
Maior fiscalização e compliance:
A Receita terá mais instrumentos de fiscalização eletrônica.
A ausência de escrita contábil deixa a empresa vulnerável a autuações, já que ficará sem “lastro” para justificar sua posição tributária.
Resumindo a reforma torna indispensável a contabilidade porque o novo sistema é baseado em apuração transparente e integrada. Aquele modelo “fiscal+pessoal” pode até ter funcionado até agora, mas não vai dar conta de atender às exigências do IVA brasileiro.
| Aspecto | Antes da Reforma (modelo atual) | Depois da Reforma (modelo com IBS + CBS) |
|---|---|---|
| Tributos principais | ICMS, ISS, PIS, Cofins (cada um com regras próprias) | IBS + CBS (modelo IVA – imposto sobre valor agregado) |
| Controle exigido | Muitas vezes basta setor fiscal (emissão de notas e apuração simples) + pessoal (folha de pagamento) | Necessário controle contábil completo para comprovar créditos e débitos do IVA |
| Notas fiscais | Usadas para apuração de tributos, mas sem necessidade de integração plena com balanços contábeis em pequenas empresas | Cada nota (entrada/saída) impacta diretamente na apuração do imposto e precisa ser conciliada com a contabilidade |
| Fiscalização | Fragmentada entre Receita Federal, estados e municípios | Unificada e digital: cruzamento automático das informações fiscais e contábeis |
| Pequenas empresas (fora do Simples) | Podem funcionar com “escrituração simplificada”, sem balanço contábil robusto | Precisarão manter demonstrações contábeis confiáveis para validar limites, créditos e regimes diferenciados |
| Risco sem contabilidade | Menor (apesar de ainda irregular, muitas empresas “passam”) | Muito maior: sem contabilidade a empresa não consegue justificar créditos, perde benefícios e pode ser autuada |